segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Era um dia qualquer e chovia, sai da minha casa e sentei no bar da esquina. Pedi pro garçom me trazer uma caipirinha e uma cerveja. E foi assim pelo resto da noite, sempre o mesmo pedido, até ela chegar. Era loira, tinha um olhar penetrante e vestia um vestido preto, daqueles de tirar o folego, sentou na minha mesa, e me encarou, como quem encara o pior dos inimigos. Fiquei acuado, mas não consegui dizer nada, abaixei a cabeça, como fiz para todas as mulheres até hoje. Ela parecia que me conhecia, que sabia quem e como eu era. Pedi mais uma caipirinha pra mim e ofereci um drink para ela, tentando sair dessa saia justa que eu estava, ela pediu um Jack sem gelo, eu tremi. Então, finalmente, ela começou a falar: "Eu sei o que você está fazendo, está tentando parecer forte, está tentando mostrar a todos que supera qualquer coisa, mas meu caro, você é um fraco, você é um merda, você fracassou em tudo o que tentou fazer até hoje e mulher nenhuma gosta de um fracassado.", "Garçom, me vê mais um Jack sem gelo" Eu gritei. "Meu copo ainda está cheio, moleque!" Ela retrucou. "Esse é para mim, querida." tomei o copo em um gole só, como se fosse água. Ela esperou eu me recompor e continuou: "Você precisa crescer, moleque, precisa parar de se apaixonar por qualquer garota, precisa parar de achar que tudo está certo, porque não está, você é um garoto de 24 anos, procurando paz de espirito do mesmo jeito que fazia quando tinha 13 anos." eu respirei fundo com os olhos cheio de água e falei o que precisava ser dito: "Olha, eu sei de tudo isso, mas eu não consigo, é só elas sorrirem, me darem atenção, parecerem inocentes e vestirem alguma peça de roupa que eu goste, que eu me apaixono. Eu luto a vida toda contra isso e quanto mais elas me chutam, mais eu gosto, eu sofro por pouco, eu escrevo poesias, eu imagino o futuro e então eu me fodo." Ela sorriu, um sorriso meio infame. "Garoto, poesias são para limpar a bunda, uma mulher gosta de dois tipos de homem, o que tem dinheiro e o filho da puta, sem caráter, cafajeste, canalha..." fiquei puto, soquei a mesa, virei o final da caipirinha quente e gritei. "Foda-se, eu não sou assim, estou cansado de ouvir essa merda de todo mundo, eu acredito na bosta do amor, eu não sou bonito, eu não sou rico e eu tenho MUITO caráter, e eu nunca, nunca mesmo feriria o coração de uma garota, eu não gosto de jogos, eu sou o que eu sou, eu não vou mudar, e..." Então subitamente ela me beijou, um beijo longo e demorado, quando nós paramos ela me disse: "Boa sorte, garoto, você vai se foder muito ainda, mas a garota que você conquistar, será a mais feliz do mundo." em questão de segundos ela sumiu e eu estava sozinho novamente no bar, perguntei para o garçom sobre a garota, ele me disse que eu estive sozinho o tempo todo.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Obrigado Summer
eu sei as coisas nunca são como a gente quer
e eu continuei por aqui, por esses bares,
bebendo desenfreadamente pra ver se acalmo esse peito,
que não me deixa parar de pensar nem por um segundo.
já você deve estar por ai conhecendo lábios novos,
com esperanças em novas paixões e deslumbrada.
deve ter arrumado um novo emprego, deve estar feliz.
não deve nem pensar nesse pobre ser que lhe escreve.
eu queria entender como posso ser tão insignificante,
como consigo ser apagado tão facilmente
e como não consigo me desvincilhar de ninguém.
será uma eterna maldição sem cura?
deixa pra lá é só mais uma sexta-feira
em que eu espero te encontrar em lábios desconhecidos.
é só mais um fim de semana em que nada faz sentido,
em que os bares fecham mais cedo do que o sono chega.
então me da mais um copo dessa merda,
me da um tapa nessa cara sem vergonha,
não me deixa sucumbir em devaneios,
assiste o sol nascer mais uma vez comigo.
e eu continuei por aqui, por esses bares,
bebendo desenfreadamente pra ver se acalmo esse peito,
que não me deixa parar de pensar nem por um segundo.
já você deve estar por ai conhecendo lábios novos,
com esperanças em novas paixões e deslumbrada.
deve ter arrumado um novo emprego, deve estar feliz.
não deve nem pensar nesse pobre ser que lhe escreve.
eu queria entender como posso ser tão insignificante,
como consigo ser apagado tão facilmente
e como não consigo me desvincilhar de ninguém.
será uma eterna maldição sem cura?
deixa pra lá é só mais uma sexta-feira
em que eu espero te encontrar em lábios desconhecidos.
é só mais um fim de semana em que nada faz sentido,
em que os bares fecham mais cedo do que o sono chega.
então me da mais um copo dessa merda,
me da um tapa nessa cara sem vergonha,
não me deixa sucumbir em devaneios,
assiste o sol nascer mais uma vez comigo.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Me chamou de canto e eu fui, me beijou, eu beijei de volta, língua na língua, respiração ofegante e o suor insaciável dos corpos quentes em uma noite também muito quente de verão. Então alguém falou: "Mas você disse que não queria..." e eu respondi: "É o seguinte, cada beijo tem um gosto único, e eu não falo do hálito de bebida barata e cigarros, ou de torta de morango, eu tô falando do gosto de vida, cada pessoa tem uma vida, e cada beijo tem um gosto de vida diferente, que se incorpora a sua vida, e então um pouco dessa pessoa estará para sempre com você, manja?" Me olhou estranho, cara de interrogação e retrucou: "Cara, você é louco.". Não falei mais nada, só continuei pensando em outra boca, em outra língua, em outra respiração ofegante, em outro corpo suado e em velhas promessas e planos que não se cumpriram.
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