segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Uma geração inteira que não sabe amar
Dado acordou e mais uma vez estava de ressaca. A cabeça girava e havia uma sede descomunal. Lavou o rosto na pia do banheiro, bebeu um pouco de água da torneira, acendeu um cigarro e se olhou no espelho. Vinte e cinco anos de erros, vinte e cinco anos de cagadas e vexames homéricos, vinte e cinco anos sem nunca ter dado nenhum motivo de orgulho a nenhum membro de sua família. Então a campainha tocou, era Roger, um antigo amigo da época de colégio. Roger estava bem, havia concluído a faculdade de medicina, estava prestes a se casar com uma enfermeira que conhecera em um dos plantões que ele fez. Roger entrou, foi até a geladeira, colocou 2 pedras de gelo em um copo e encheu de uísque, também pegou uma cerveja para Dado. Deu um longo gole e perguntou: "Como vão as coisas, mermão?", Dado virou a cerveja, limpou a boca e respondeu: "Tudo igual, nada nunca muda, são sempre as mesmas merdas de sempre". "Você tem que encontrar uma boa mulher, alguém que te coloque pra cima, não pode continuar assim" Disse Roger. Dado deu outro gole na cerveja e acendeu um cigarro, bem devagar, demonstrando bastante calma e retrucou: "Roger, eu tô fudido há anos, não tem mais jeito. Hoje em dia as mulheres da minha idade querem homens que tenham a vida encaminhada, um emprego bom, saúde e planos de vida. Porra, eu não tenho nada, meu emprego é uma merda, vivo pedindo dinheiro emprestado e sou um alcoólatra em potencial. Mas o pior são as meninas mais novas, fãs de glee, McFly e de filme de vampiro apaixonado. Isso é o fim pra mim, uma geração inteira que não vê a genialidade do Iggy Pop, ou do Morrisey. Eu tô velho Roger, não da mais pra mim". Roger encheu novamente o seu copo, matou uma mosca que o incomodava e deu o seu último conselho: "Talvez você devesse parar de beber e terminar os seus estudos, você é um bom cara Dado, só falta demonstrar isso". "Que nada, eu sou um monte de bosta, só sirvo para escrever algumas histórias e nada muito interessante. Só tenho esse velho corpo coberto de tatuagens para oferecer, não há nenhum bem, não há nenhuma esperança". Realmente era o que Dado pensava sobre si. Então Roger levantou, se despediu, deixou uma nota de 100 reais na mesa de Dado e agradeceu bem baixinho por não ser o pobre coitado que Dado era.
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