domingo, 20 de novembro de 2011
Por isso eu odeio as luzes de natal
Pode parecer loucura, mas todo fim de ano é igual, todo fim de ano eu procuro algo para me agarrar, eu procuro algo em que eu possa acreditar, é sempre busca por esperança, sempre procurando o novo. Deposito as fichas no ano seguinte, faço promessas tolas de não me machucar, de me preservar e nunca as cumpro, é como se eu tivesse nascido pra ficar de joelhos gritando por compaixão e os gritos são abafados pelo som alto do mundo. Eu vejo tudo o que já passei, vejo como eu cheguei até aqui, sempre aos trancos e barrancos, cambaleando, tropeçando em uma vida ou outra, perdendo minhas virtudes aqui ou ali, saca? Como se eu estivesse espalhado por esses quase 24 anos, e então eu tento juntar esses fragmentos de pessoa, tento juntar as peças do quebra-cabeça que é a minha vida, mas são peças velhas, molhadas de suor, cerveja e queimadas com pontas de cigarro, peças maltratadas pelo tempo, que não se unem mais. Então me resta mais um domingo, mais um maldito domingo, com o sol sorrindo e dizendo: "Vai lá, recomeça! O zero tem a sua vantagem, o zero não tem nada, então tudo o que vier se torna lucro." Então dou mais um trago do meu câncer e não penso em mais nada.
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